No último dia 17, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu , por oito votos a um, que é inconstitucional a obrigatoriedade do diploma em curso superior específico para o exercício da profissão de jornalista no Brasil.
Os ministrosreceberam o recurso ajuizado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal (MPF) contra uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que tinha afirmado a necessidade do diploma.
O chefe de edição da emissora RIC – Record, o jornalista Rafael Henzel, respondeu às questões do jornalismo a partir da não obrigatoriedade. Acompanhe:
Qual é a opinião do senhor a respeito da queda da exigência do diploma de jornalista?
Rafael Henzel – Esta é uma questão bem ampla. Quase tudo já foi dito a favor e contra. A minha opinião, não é de agora, mesmo quando eu estava na faculdade é que o mercado faz a separação do bom e mau profissional. Não é o diploma que transforma o profissional. É o conhecimento teórico e técnico que o candidato pode obter através de outras fontes que não sejam as universidades. Sempre fui a favor da liberdade de expressão. Quantos jornalistas, vocês conhece que assina o expediente de um jornal mesmo sem trabalhar no veículo? Isso é muito comum. Quantos jornalistas diplomados “vendem” reportagens para prefeituras? Esta é minha opinião. Estou lutando por uma carreira criativa, ética e profissional que não será o diploma que irá me oferecer.
A emissora Ric Record Chapecó, dá mais valor ao jornalista formado na hora de uma contratação?
Rafael Henzel -Em nenhum lugar do Brasil você “ganhará”a vaga se for um jornalista com deficiência técnica e criativa. As emissoras querem qualidade, experiência, gente que não se esconde atrás de uma diplomação para exigir uma contratação. Se for jornalista e é bom, será contratado. Caso contrário ficará na fila.
Após essa queda da exigência como o mercado funcionará?
Rafael Henzel- Nada mudará na minha opinião. Sinto isso pelos contatos que tenho pelo Brasil. O salário será o mesmo, os profissionais também e as emissoras continuarão contratando os melhores. Creio que as universidades sofrerão mais. Mas como são particulares deverão se adaptar. Jornalista ou não, somente os que demostrarem interesse permanecerão nos veículos de comunicação.
Veja a reportagem sobre a não obrigatoriedade do diploma
O jornalista e Subeditor( exercendo temporariamente a função de Editor-Chefe) do Jornal Diário do Iguaçu, Wagner Gris, também respondeu às questões do exercício da profissão:
Qual é a sua opinião a respeito da queda da exigência do diploma ?
Wagner Gris – é uma decisão equivocada e lamentável, mas ficar apenas chorando o leite derramado não adianta. Sou contra a decisão, mas a vida segue e temos que mostrar com competência, cada dia, que sabemos fazer com mais qualidade e eficência as atividades pertinentes à profissão de jornalista.
O Jornal Diário do Iguaçu, dá mais valor ao jornalista formado na hora de uma contratação?
Wagner Gris- Há cerca de dois anos, e até o momento, só eram contratados jornalistas formados. A partir de agora não sei. Será uma definição dos proprietários em acordo com a editora-chefe.
Após essa queda da exigência como o mercado funcionará a partir desta mudança?
Wagner Gris – Não acredito em muitas mudanças para os profissionais formados nas cadeiras universitárias, porque há juito espaço a ser preenchido no meio jornalístico. Ao mesmo tempo, têm muitos profissionais( não – formados) que ainda não justificaram os empregos que possuem com competência e apenas estão empregados por interferências políticas. Daqui a pouco, as empresas e assessorados vão se dar conta de que estão ficando para trás e vão exigir profissionais com mais competência. Acredito que a extinção da exigência do diploma vai pressionar ainda mais as universidades, que terão uma obrigação maior de preparar jornalistas competentes para o trabalho, para não desovar um novo grupo de desempregados no mercado a cada fim de semestre.